DNA mostra como, onde e quando gatos foram domesticados Adobe Stock Sejam eles siameses, persas, maine coons ou um gato doméstico de pelo curto, há centenas de milhões de gatos vivendo com pessoas em todo o mundo. Mas, apesar de sua popularidade como animais de estimação, a história da domesticação dos gatos continua difícil de ser decifrada pelos cientistas. Um novo estudo do genoma fornece informações sobre o assunto, ao determinar o momento de um marco importante na domesticação dos felinos -- a introdução de gatos domésticos vindos do norte da África na Europa. Pesquisadores descobriram que os gatos domésticos chegaram à Europa há cerca de 2.000 anos, no início do período imperial romano, provavelmente graças ao comércio marítimo. Alguns desses pioneiros peludos podem ter sido levados por marinheiros para caçar ratos em navios que cruzavam o Mediterrâneo transportando grãos dos férteis campos do Egito para os portos que serviam Roma e outras cidades do extenso Império Romano. As descobertas contradizem a ideia de longa data de que a domesticação teria ocorrido em tempos pré-históricos, talvez de 6.000 a 7.000 anos atrás, quando agricultores do antigo Oriente Próximo e do Oriente Médio se mudaram para a Europa, trazendo gatos com eles. Veja os vídeos que estão em alta no g1 "Mostramos que os primeiros genomas de gatos domésticos na Europa foram encontrados a partir do período imperial romano", começando no primeiro século d.C., disse o paleogeneticista Claudio Ottoni, da Universidade de Roma Tor Vergata, principal autor do estudo publicado nesta quinta-feira (27) na revista Science. O estudo utilizou dados genéticos de restos de felinos de 97 sítios arqueológicos da Europa e do Oriente Próximo, assim como de gatos atuais. Os pesquisadores analisaram 225 ossos de gatos -- domésticos e selvagens -- de cerca de 10.000 anos atrás até o século 19 d.C., e geraram 70 genomas de felinos antigos. Eles descobriram que os restos de gatos de locais pré-históricos na Europa pertenciam a gatos selvagens, e não aos primeiros gatos domésticos. Os cães foram o primeiro animal domesticado pelas pessoas, descendendo de uma antiga população de lobos separada dos lobos modernos. O gato doméstico veio depois, descendente do gato selvagem africano. "A introdução do gato doméstico na Europa é importante porque marca um momento significativo em seu relacionamento de longo prazo com os seres humanos. Os gatos não são apenas mais uma espécie chegando em um novo continente. Eles são um animal que se integrou profundamente às sociedades humanas, às economias e até mesmo aos sistemas de crenças", disse o paleogeneticista e coautor do estudo Marco De Martino, da Universidade de Roma Tor Vergata. Os dados do genoma identificaram duas introduções de gatos na Europa vindos do norte da África. Há cerca de 2.200 anos, as pessoas trouxeram gatos selvagens do noroeste da África para a ilha da Sardenha, cuja população atual de gatos selvagens descende desses migrantes. Mas esses não eram gatos domésticos. Foi uma dispersão separada do norte da África, cerca de dois séculos depois, que formou a base genética do gato doméstico moderno na Europa. As descobertas do estudo sugerem que não houve uma única região central de domesticação de gatos, mas que várias regiões e culturas no norte da África tiveram um papel importante, de acordo com a zooarqueóloga e coautora do estudo, Bea De Cupere, do Instituto Real Belga de Ciências Naturais. "A época das ondas genéticas de introdução do norte da África coincide com os períodos em que o comércio pelo Mediterrâneo se intensificou fortemente. Os gatos provavelmente viajaram como eficientes caçadores de ratos em navios de grãos, mas possivelmente também como animais valiosos com significado religioso e simbólico", disse De Cupere. Os gatos eram importantes no antigo Egito, cujo panteão incluía divindades felinas e cuja realeza mantinha gatos de estimação, às vezes mumificando-os para enterrá-los em caixões elaborados. O antigo Exército romano, com postos avançados espalhados pela Europa, e sua comitiva desempenharam um papel fundamental na dispersão dos gatos domésticos por todo o continente, atestam os restos mortais de felinos descobertos nos locais dos acampamentos militares romanos. O gato doméstico mais antigo da Europa identificado no estudo -- geneticamente semelhante aos gatos domésticos atuais -- data de 50 a.C. a 80 d.C., da cidade austríaca de Mautern, local de um forte romano ao longo do rio Danúbio. O estudo, no entanto, não revela o momento e o local da domesticação inicial dos felinos. "A domesticação de gatos é complexa", disse Ottoni, "e o que podemos dizer agora é o momento da introdução de gatos domésticos na Europa vindos do norte da África. Não podemos dizer muito sobre o que aconteceu antes e onde." LEIA TAMBÉM: DNA mostra como, onde e quando gatos foram domesticados Cachorros e gatos estão evoluindo para ficarem parecidos entre si, e isso está sendo feito pelos humanos Brincadeira ou estresse? Humanos têm dificuldade em ler comportamento dos gatos, diz estudo
DNA derruba teoria antiga e mostra como gatos se espalharam pela Europa
Escrito em 29/11/2025
DNA mostra como, onde e quando gatos foram domesticados Adobe Stock Sejam eles siameses, persas, maine coons ou um gato doméstico de pelo curto, há centenas de milhões de gatos vivendo com pessoas em todo o mundo. Mas, apesar de sua popularidade como animais de estimação, a história da domesticação dos gatos continua difícil de ser decifrada pelos cientistas. Um novo estudo do genoma fornece informações sobre o assunto, ao determinar o momento de um marco importante na domesticação dos felinos -- a introdução de gatos domésticos vindos do norte da África na Europa. Pesquisadores descobriram que os gatos domésticos chegaram à Europa há cerca de 2.000 anos, no início do período imperial romano, provavelmente graças ao comércio marítimo. Alguns desses pioneiros peludos podem ter sido levados por marinheiros para caçar ratos em navios que cruzavam o Mediterrâneo transportando grãos dos férteis campos do Egito para os portos que serviam Roma e outras cidades do extenso Império Romano. As descobertas contradizem a ideia de longa data de que a domesticação teria ocorrido em tempos pré-históricos, talvez de 6.000 a 7.000 anos atrás, quando agricultores do antigo Oriente Próximo e do Oriente Médio se mudaram para a Europa, trazendo gatos com eles. Veja os vídeos que estão em alta no g1 "Mostramos que os primeiros genomas de gatos domésticos na Europa foram encontrados a partir do período imperial romano", começando no primeiro século d.C., disse o paleogeneticista Claudio Ottoni, da Universidade de Roma Tor Vergata, principal autor do estudo publicado nesta quinta-feira (27) na revista Science. O estudo utilizou dados genéticos de restos de felinos de 97 sítios arqueológicos da Europa e do Oriente Próximo, assim como de gatos atuais. Os pesquisadores analisaram 225 ossos de gatos -- domésticos e selvagens -- de cerca de 10.000 anos atrás até o século 19 d.C., e geraram 70 genomas de felinos antigos. Eles descobriram que os restos de gatos de locais pré-históricos na Europa pertenciam a gatos selvagens, e não aos primeiros gatos domésticos. Os cães foram o primeiro animal domesticado pelas pessoas, descendendo de uma antiga população de lobos separada dos lobos modernos. O gato doméstico veio depois, descendente do gato selvagem africano. "A introdução do gato doméstico na Europa é importante porque marca um momento significativo em seu relacionamento de longo prazo com os seres humanos. Os gatos não são apenas mais uma espécie chegando em um novo continente. Eles são um animal que se integrou profundamente às sociedades humanas, às economias e até mesmo aos sistemas de crenças", disse o paleogeneticista e coautor do estudo Marco De Martino, da Universidade de Roma Tor Vergata. Os dados do genoma identificaram duas introduções de gatos na Europa vindos do norte da África. Há cerca de 2.200 anos, as pessoas trouxeram gatos selvagens do noroeste da África para a ilha da Sardenha, cuja população atual de gatos selvagens descende desses migrantes. Mas esses não eram gatos domésticos. Foi uma dispersão separada do norte da África, cerca de dois séculos depois, que formou a base genética do gato doméstico moderno na Europa. As descobertas do estudo sugerem que não houve uma única região central de domesticação de gatos, mas que várias regiões e culturas no norte da África tiveram um papel importante, de acordo com a zooarqueóloga e coautora do estudo, Bea De Cupere, do Instituto Real Belga de Ciências Naturais. "A época das ondas genéticas de introdução do norte da África coincide com os períodos em que o comércio pelo Mediterrâneo se intensificou fortemente. Os gatos provavelmente viajaram como eficientes caçadores de ratos em navios de grãos, mas possivelmente também como animais valiosos com significado religioso e simbólico", disse De Cupere. Os gatos eram importantes no antigo Egito, cujo panteão incluía divindades felinas e cuja realeza mantinha gatos de estimação, às vezes mumificando-os para enterrá-los em caixões elaborados. O antigo Exército romano, com postos avançados espalhados pela Europa, e sua comitiva desempenharam um papel fundamental na dispersão dos gatos domésticos por todo o continente, atestam os restos mortais de felinos descobertos nos locais dos acampamentos militares romanos. O gato doméstico mais antigo da Europa identificado no estudo -- geneticamente semelhante aos gatos domésticos atuais -- data de 50 a.C. a 80 d.C., da cidade austríaca de Mautern, local de um forte romano ao longo do rio Danúbio. O estudo, no entanto, não revela o momento e o local da domesticação inicial dos felinos. "A domesticação de gatos é complexa", disse Ottoni, "e o que podemos dizer agora é o momento da introdução de gatos domésticos na Europa vindos do norte da África. Não podemos dizer muito sobre o que aconteceu antes e onde." LEIA TAMBÉM: DNA mostra como, onde e quando gatos foram domesticados Cachorros e gatos estão evoluindo para ficarem parecidos entre si, e isso está sendo feito pelos humanos Brincadeira ou estresse? Humanos têm dificuldade em ler comportamento dos gatos, diz estudo