Técnico de Senegal explica saída do campo na final da Copa Africana: “Tentei proteger meus jogadores da injustiça”

Escrito em 23/01/2026
Gustavo Ferreira - Jogo de Hoje

Protesto ocorreu após pênalti polêmico para Marrocos; seleção senegalesa deixou o gramado, voltou e conquistou o bicampeonato na prorrogação



Senegal conquista o bicampeonato da Copa Africana de Nações — Foto: Reprodução / @papthiaw


Mesmo com o título garantido, a final da Copa Africana de Nações entre Senegal e Marrocos ficou marcada por tensão, decisões controversas da arbitragem e um protesto inédito. Campeã após a prorrogação, a seleção senegalesa chegou a deixar o gramado no segundo tempo, em reação a um pênalti marcado a favor dos marroquinos nos acréscimos do tempo regulamentar.

Após a conquista do bicampeonato, o técnico Pape Thiaw se manifestou publicamente e afirmou que a atitude foi motivada por um sentimento de injustiça vivido por seus jogadores ao longo da partida.

Meu coração, minha alma e minha mente estão ancorados neste belo país que me deu tudo, e por ele, eu faria o impossível. Vivenciamos um torneio excepcional com uma organização magnífica, que infelizmente terminou em tragédia. Nunca foi minha intenção ir contra os princípios do jogo que tanto amo. Simplesmente tentei proteger meus jogadores da injustiça. O que alguns podem perceber como uma violação das regras nada mais é do que uma reação emocional à parcialidade da situação. Após deliberação, decidimos retomar a partida e buscar a conquista deste troféu para vocês — publicou Thiaw nas redes sociais.

Final marcada por decisões polêmicas

A partida foi intensa desde o início. No segundo tempo, Senegal teve um gol anulado após a arbitragem assinalar falta de Seck em Hakimi dentro da área. Já nos acréscimos, após revisão no VAR, foi marcado pênalti de Malick Diouf sobre Brahim Díaz, o que gerou forte revolta no banco senegalês.

Diante da decisão, Pape Thiaw orientou seus jogadores a deixarem o campo como forma de protesto. A equipe chegou a se dirigir aos vestiários, mas retornou após a intervenção do capitão Sadio Mané.

Na cobrança, Díaz tentou uma cavadinha, finalizou no meio do gol e parou em defesa tranquila do goleiro senegalês.

Pedido de desculpas e agradecimentos

Após o episódio, o treinador voltou a se pronunciar, reconhecendo a carga emocional do momento e agradecendo o apoio recebido.

Peço desculpas se ofendi alguém, mas os torcedores de futebol entenderão que a emoção é parte integrante deste esporte. Gostaria de parabenizar nosso Presidente da República e o Ministro do Esporte, que nos proporcionaram as melhores condições possíveis, nossa Federação, por seu apoio inabalável, e nossos torcedores, que moveram montanhas conosco.

Título decidido na prorrogação

Com o empate sem gols persistindo após o tempo normal, a decisão foi para a prorrogação. Logo aos três minutos, Pape Gueye marcou o gol do título com um chute de dentro da área, garantindo o bicampeonato de Senegal, que já havia conquistado a competição em 2021.

A seleção igualou o número de títulos de Argélia e República Democrática do Congo, chegando a duas conquistas da Copa Africana de Nações.

Eu não teria conseguido fazer tudo isso sem a minha família: minha mãe, que já não está entre nós, meu pai, minha esposa e meus filhos, que me dão uma motivação extra. E, finalmente, meus rapazes, esses 28 guerreiros que deram sangue, suor e alma pela sua nação. É um prazer liderá-los porque, além de serem lendas, vocês são pessoas excepcionais! — concluiu o treinador.

Possíveis punições após o protesto

Segundo o regulamento da Copa Africana de Nações, o Senegal pode ser multado entre 50 mil e 100 mil euros pela saída temporária de campo durante a final. Já a Real Federação de Futebol do Marrocos informou que pretende acionar a Confederação Africana de Futebol (CAF) e a Fifa, contestando a atitude da equipe senegalesa durante a decisão.


Fonte – Jogo de Hoje 360°


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