Presidente da Fifa afirma que gesto indica intenção de ocultar ofensa e sugere mudanças já para a Copa do Mundo
Infantino, presidente da Fifa, em evento no Instituto Donald J. Trump para a Paz, em Washington, DC. — Foto: Chip Somodevilla/Getty Images
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu que atletas que tapem a boca durante discussões em campo sejam expulsos imediatamente, especialmente em situações com possível teor racista. A declaração surge após um episódio recente envolvendo Vinicius Júnior, citado como exemplo de um comportamento que, segundo ele, evidencia tentativa de ocultar ofensas.
Infantino afirmou que o gesto de cobrir a boca ao falar em confrontos é um indicativo claro de que algo inadequado está sendo dito e que o regulamento precisa evoluir para lidar melhor com esse tipo de situação no futebol moderno.
“Se um jogador cobrir a boca e falar algo, e isso tiver um impacto racista, ele precisa ser expulso. Obviamente. Nós precisamos assumir que ele disse algo que não deveria, porque do contrário não precisaria cobrir a boca” — disse o presidente da Fifa em entrevista ao jornal inglês "Sky News".
Caso recente impulsiona debate sobre regras
Na entrevista, Infantino mencionou a denúncia feita por Vinicius em partida entre Benfica e Real Madrid pela Champions League, ocorrida em 17 de fevereiro. Sem citar diretamente os envolvidos, ele destacou que o caso está sob análise disciplinar da UEFA e que a situação revelou lacunas nas regras atuais.
— Nós estamos constantemente tentando melhor e avançar. Nós precisamos parar o racismo, não podemos ficar satisfeitos apenas dizendo: "É um problema da sociedade, não podemos fazer mais nada a respeito"... Tivemos um caso agora e ele está sendo tratado pelo conselho disciplinar na Uefa. Mas o que surge disso é existem situações que nós não previmos. Porque um jogador ou jogadora precisa cobrir a boca quando fala algo?
IFAB estuda mudanças disciplinares no futebol
No último sábado, Infantino participou de reunião da International Football Association Board (IFAB), no País de Gales, onde foram aprovadas alterações em regras como o uso do VAR. O dirigente revelou que a entidade iniciou consultas para desenvolver medidas específicas contra o ato de esconder a boca durante confrontos em campo.
— Claro, quando acontece, precisamos olhar as evidências e analisar. Mas não podemos ficar satisfeitos. É por isso que propusemos na reunião da IFAB que a gente estude mudanças nas regras disciplinares. Sugerimos de mudar antes do final de abril, assim podemos aplicá-las na Copa do Mundo. Eu só não consigo entender. Se você não tem nada a esconder, você não tapa sua boca para falar. É simples assim. São ações que nós podemos e precisamos tomar para lidar com essa luta com seriedade — ressaltou ao "Sky News".
Possibilidade de punições com atenuantes
Apesar de defender regras mais rígidas, Infantino também ponderou que o sistema disciplinar pode considerar pedidos de desculpas em determinados casos, como forma de estimular mudança de comportamento e cultura no esporte.
— Talvez também devêssemos considerar não só punir, mas também permitir uma mudança de cultura. permitir que jogadores, ou qualquer um que faça, se desculpem. Você pode fazer coisas que não gostaria de ter feito em um momento de raiva. Pedir desculpa e ter uma punição diferente para seguirmos em frente, poderíamos pensar nisso — afirmou Infantino.
Fonte – Jogo de Hoje 360°