Dólar abre de olho nas negociações no Oriente Médio e na agenda econômica

Escrito em 16/04/2026


Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar iniciou a sessão desta quinta-feira (16) em queda, recuando 0,02% na abertura, cotado a R$ 4,9908. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ Nos Estados Unidos, a tensão com o Irã voltou a aumentar. Na quarta-feira (15), Donald Trump ordenou o envio de mais de 10 mil militares ao Oriente Médio. A medida é vista como uma forma de pressionar Teerã antes de uma possível nova rodada de negociações com a Casa Branca. ▶️ Ao mesmo tempo, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que Washington se prepara para aplicar sanções adicionais contra países ou empresas que fazem negócios com o Irã. A medida pode atingir, por exemplo, compradores chineses de petróleo e tem como objetivo aumentar a pressão econômica sobre o país. ▶️ Em meio a esse cenário, os preços do petróleo subiam nesta quinta-feira. Um pouco antes das 9h (horário de Brasília), o Brent — referência internacional — avançava 1,4%, para US$ 96,27 por barril. Já o petróleo americano (WTI) registrava alta de 1,2%, a US$ 92,41. ▶️ Na agenda econômica, o destaque no Brasil é a divulgação do IBC-Br, indicador considerado uma espécie de “prévia do PIB”. O índice subiu 0,6% em fevereiro na comparação com o mês anterior, já com ajuste sazonal, resultado acima da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,47%. ▶️ No exterior, os EUA divulgam os pedidos semanais de auxílio-desemprego, com previsão de estabilidade em relação à semana anterior. Mais tarde, saem os dados de produção industrial de março, com estimativa de avanço de 0,1%. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,39%; Acumulado do mês: -3,61%; Acumulado do ano: -9,05%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +0,21%; Acumulado do mês: +5,48%; Acumulado do ano: +22,72%. Guerra no Oriente Médio A menos de uma semana do fim do prazo de um cessar-fogo, EUA e Irã voltaram a elevar o tom em meio a negociações delicadas para evitar uma escalada ainda maior do conflito. As tensões aumentaram após o fracasso das conversas realizadas no último sábado (11), em Islamabad, no Paquistão. Desde então, os dois países passaram a trocar ameaças enquanto tentam manter aberta a possibilidade de uma nova rodada de negociações. Na véspera, o governo de Donald Trump ordenou o envio de mais de 10 mil militares ao Oriente Médio, segundo o jornal "The Washington Post". A movimentação é interpretada como uma tentativa de aumentar a pressão sobre Teerã antes de eventuais novas conversas mencionadas pela Casa Branca. Apesar da escalada militar, surgem também sinais de movimentação diplomática na região. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deve se reunir com o presidente do Líbano, Joseph Aoun, informou nesta quinta-feira (16) a ministra israelense de Inovação e integrante do gabinete de segurança política, Gila Gamliel. Caso ocorra, será o primeiro encontro direto entre líderes dos dois países em décadas. Em paralelo, autoridades iranianas indicaram um possível gesto de distensão nas negociações com os EUA. Segundo informações da Reuters, Teerã sugeriu que poderia permitir a passagem livre de navios pelo lado do Estreito de Ormuz localizado em águas de Omã, desde que seja alcançado um acordo para evitar um novo conflito. A proposta é vista mais como um sinal político do que como uma solução imediata para os problemas de navegação na região. O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo e responde por cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito. De acordo com uma fonte informada por Teerã, o Irã poderia permitir que navios utilizem o lado da hidrovia situado em águas de Omã sem interferência iraniana. A iniciativa representa um afastamento das propostas mais duras discutidas anteriormente por autoridades iranianas, que incluíam cobrar taxas de navios que atravessassem o estreito ou impor controle direto sobre a passagem — medidas criticadas pelo setor global de navegação por possível violação de convenções marítimas. Desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã, em 28 de fevereiro, o tráfego na região tem sido fortemente afetado. Centenas de petroleiros e outras embarcações permanecem retidos no Golfo Pérsico, provocando uma das maiores interrupções já registradas no fornecimento global de petróleo e gás. Agenda econômica Prévia do PIB O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) — indicador considerado uma espécie de prévia do Produto Interno Bruto (PIB) — registrou alta de 0,6% em fevereiro na comparação com o mês anterior, já com ajuste para efeitos sazonais. Os dados foram divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira. O resultado veio acima das expectativas do mercado. Em pesquisa da Reuters, economistas projetavam um crescimento de 0,47% no mês. Na comparação com fevereiro do ano passado, o indicador apresentou queda de 0,3%. Já no acumulado em 12 meses, o IBC-Br registra alta de 1,9%, segundo dados sem ajuste sazonal. Mercados globais Em Wall Street, os contratos futuros das bolsas — que indicam a tendência de abertura do mercado — subiam por volta das 9h (horário de Brasília). O futuro do Dow Jones avançava 0,05%, o do S&P 500 ganhava 0,07% e o do Nasdaq registrava alta de 0,17%. Na Europa, as principais bolsas também operavam no campo positivo. O índice STOXX 600, que reúne empresas de diversos países do continente, subia 0,43%, aos 619,94 pontos. Em Londres, o FTSE 100 avançava 0,5%, para 10.610,04 pontos. O CAC 40, da França, tinha alta de 0,5%, a 8.316,76 pontos, enquanto o DAX, da Alemanha, subia 0,5%, para 24.175,91 pontos. Na Ásia, a maioria dos mercados encerrou o pregão em alta. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 1,7%, aos 26.394,26 pontos, e o índice de Xangai subiu 0,7%, para 4.055,55 pontos. No Japão, o Nikkei 225 saltou 2,4%, fechando em 59.518,34 pontos, um novo recorde. Na Coreia do Sul, o Kospi avançou 2,2%, para 6.226,05 pontos. Parte desse movimento também foi influenciada por dados econômicos da China, que indicaram crescimento de 5% no primeiro trimestre. Apesar disso, analistas apontam que o desempenho das exportações chinesas pode enfrentar desafios nos próximos meses, diante da desaceleração da economia global. Notas de dólar. Luisa Gonzalez/ Reuters
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